Governo subestimou reação ao desfile e agora corre atrás do prejuízo político
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é clara: o governo subestimou o desgaste político gerado pela homenagem da escola Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval do Rio. O episódio, que parecia simbólico e cultural, acabou virando munição política e deve respingar nas próximas pesquisas de opinião.
Assessores admitem que houve erro de leitura do cenário. A percepção interna é de que o eleitorado independente — que já vinha dando sinais de distanciamento do governo — pode reagir ainda mais negativamente à associação do presidente com o desfile, sobretudo após a repercussão de uma ala que ironizou setores conservadores e religiosos.
O desgaste é ainda mais sensível no diálogo com o eleitorado evangélico, alvo estratégico da atual fase do governo. A tentativa de reaproximação com esse público sofreu um revés, e o episódio do Carnaval passou a ser explorado como símbolo de desconexão do governo com parte desse segmento.
Enquanto isso, aliados reconhecem que o campo adversário ganha tempo e espaço. Flávio Bolsonaro, já tratado nos bastidores como nome escolhido pelo pai para a disputa presidencial, tem direcionado discurso ao eleitorado independente e, por ora, navega em cenário de menor desgaste direto. A avaliação interna no Planalto é que essa blindagem é momentânea e que o pré-candidato ainda deve virar “vidraça” ao longo da campanha, mas o timing atual favorece a oposição.
O rebaixamento da escola de samba no desfile também virou peça simbólica no jogo político. Parlamentares bolsonaristas e influenciadores da oposição usaram o resultado para associar a queda da escola ao governo federal, transformando o episódio cultural em narrativa política de desgaste.
Dentro do governo, a leitura é de que a oposição vai explorar o episódio até o limite, especialmente nas redes sociais, com forte impulsionamento de conteúdos críticos. A avaliação é que o Carnaval, que poderia ter sido apenas um evento simbólico, acabou virando um erro de cálculo político com potencial de contaminar o humor do eleitor nas próximas rodadas de pesquisa.

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